vinte e sete de março de dois mil e sete
Hoje eu estava arquivando as pastas lógicas dos projetos já finalizados e acabei reencontrando um case infeliz.
Foi uma encomenda de um jornal de grande circulação nacional, do qual o diretor de arte entrou em contato comigo me dizendo precisar de uma ilustração para um texto.
Para variar era para ontem. Contudo - "em contra-partida" - o diretor de arte, que já conhecia meu portfólio, definiu: o layout, a temática da ilustração e o estilo a ser usado.
A ilustração deveria ser no formato super-horizontal, ocupando metade das duas páginas do texto.
O estilo deveria ser o que chamo de xilo no meu portfólio; ou seja, traço com referência à xilogravura, geralmente em dois tons, e com linguagem bem definida - que alguns conhecidos classificaram como simbolista e/ou literal.
O tema do texto me foi enviado, juntamente com uma sugestão de solução visual - que aliás fugia bastante da linguagem que utilizo para o estilo requisitado.
Até aqui, processo comum.
Na manhã seguinte enviei rough de duas soluções, mais coerentes com o estilo, alternativas à sugestão da redação:


A resposta foi que era realmente necessário seguir a sugestão original da redação. Como o fechamento da edição seria já no final da tarde, optei por não perder tempo e em seguida já mandei um layout de acordo com a direção de arte:

Layout aprovado!
Portanto: 1) como o diretor de arte conhecia meu portfólio (principalmente o estilo que foi requisitado); e 2) como o layout foi aprovado; agora bastava arte-finalizar para dar tempo, tranqüilamente, antes do fechamento da edição.
Foi o que fiz:

AHÁ!!! Agora é que começa...
Ao receber a arte-final, pediram algumas pequenas modificações.
Fiz, na boa e, preocupado com a hora, enviei o mais rápido possível para a redação.
Recusaram a imagem e pediram mais modificações:
"Estamos esperando! Porque essa não dá!"
Boa hora para cair fora dessa roubada... Mas pergunte se aproveitei a oportunidade? O que que tem? Eram só mais algumas pequenas modificações, sugeridas agora pelo designer, né?!
Lá fui executar as tais sugestões e enviar de volta. Enviei junto ainda uma sugestão de diagramação baseada nos argumentos do designer:

...
Final da história:
"Eldes
Já passamos do horário de fechamento e não posso mais esperar que você acerte a ilustração.
Obrigado pelo esforço, mas acho que não deu! Estamos arranjado uma imagem para substituir."
Eu me senti o maior incompetente e me questionei se realmente eu estava na profissão certa.
...
Mas, depois, analisando melhor o caso:
O diretor de arte me procurou para encomendar uma ilustração, passando o briefing na quarta-feira, depois das 18h, e pedindo um esboço para a manhã de quinta-feira, e a entrega da arte-final até as 17h30 da mesma quinta. Até aqui tudo bem, já que
urgência é muito comum no mercado editorial.
Eu enviei esboços de algumas possíveis soluções para a ilustração; e, no início da tarde de quinta, um deles foi aprovado.
Como o esboço foi aprovado e como o diretor de arte já conhecia a linguagem e
o estilo que me foram pedidos para usar na arte-final, não havia razão alguma para eu pensar na possibilidade do trabalho não ser aprovado.
Contudo, no final, depois de um vai-e-vem de sugestões e alterações, o trabalho foi cancelado.
QUE MERD'ESSA!?
...
Aqui a versão final:
Foi uma encomenda de um jornal de grande circulação nacional, do qual o diretor de arte entrou em contato comigo me dizendo precisar de uma ilustração para um texto.
Para variar era para ontem. Contudo - "em contra-partida" - o diretor de arte, que já conhecia meu portfólio, definiu: o layout, a temática da ilustração e o estilo a ser usado.
A ilustração deveria ser no formato super-horizontal, ocupando metade das duas páginas do texto.
O estilo deveria ser o que chamo de xilo no meu portfólio; ou seja, traço com referência à xilogravura, geralmente em dois tons, e com linguagem bem definida - que alguns conhecidos classificaram como simbolista e/ou literal.
O tema do texto me foi enviado, juntamente com uma sugestão de solução visual - que aliás fugia bastante da linguagem que utilizo para o estilo requisitado.
Até aqui, processo comum.
Na manhã seguinte enviei rough de duas soluções, mais coerentes com o estilo, alternativas à sugestão da redação:


A resposta foi que era realmente necessário seguir a sugestão original da redação. Como o fechamento da edição seria já no final da tarde, optei por não perder tempo e em seguida já mandei um layout de acordo com a direção de arte:

Layout aprovado!
Portanto: 1) como o diretor de arte conhecia meu portfólio (principalmente o estilo que foi requisitado); e 2) como o layout foi aprovado; agora bastava arte-finalizar para dar tempo, tranqüilamente, antes do fechamento da edição.
Foi o que fiz:

AHÁ!!! Agora é que começa...
Ao receber a arte-final, pediram algumas pequenas modificações.
Fiz, na boa e, preocupado com a hora, enviei o mais rápido possível para a redação.
Recusaram a imagem e pediram mais modificações:
"Estamos esperando! Porque essa não dá!"
Boa hora para cair fora dessa roubada... Mas pergunte se aproveitei a oportunidade? O que que tem? Eram só mais algumas pequenas modificações, sugeridas agora pelo designer, né?!
Lá fui executar as tais sugestões e enviar de volta. Enviei junto ainda uma sugestão de diagramação baseada nos argumentos do designer:

...
Final da história:
"Eldes
Já passamos do horário de fechamento e não posso mais esperar que você acerte a ilustração.
Obrigado pelo esforço, mas acho que não deu! Estamos arranjado uma imagem para substituir."
Eu me senti o maior incompetente e me questionei se realmente eu estava na profissão certa.
...
Mas, depois, analisando melhor o caso:
O diretor de arte me procurou para encomendar uma ilustração, passando o briefing na quarta-feira, depois das 18h, e pedindo um esboço para a manhã de quinta-feira, e a entrega da arte-final até as 17h30 da mesma quinta. Até aqui tudo bem, já que
urgência é muito comum no mercado editorial.
Eu enviei esboços de algumas possíveis soluções para a ilustração; e, no início da tarde de quinta, um deles foi aprovado.
Como o esboço foi aprovado e como o diretor de arte já conhecia a linguagem e
o estilo que me foram pedidos para usar na arte-final, não havia razão alguma para eu pensar na possibilidade do trabalho não ser aprovado.
Contudo, no final, depois de um vai-e-vem de sugestões e alterações, o trabalho foi cancelado.
QUE MERD'ESSA!?
...
Aqui a versão final:





1 Comments:
Eldes, não sei se estou transtornada, indignada, infeliz... mas queria dizer alguma coisa: "sinto muito" por isso! Minha nossa, como precisamos de algo que parece simples, mas não se encontra: RESPEITO AO PRÓXIMO!... sem mais...
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